Salão Internacional de Agricultura de Paris ė “zero Brasil”. Apenas uma exceção.

Ausência oficial contrasta com sucesso isolado de brasileiro em Paris e expõe falha do país em promover sua força agrícola globalmente.
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Nesta semana estamos no maior salão agrícola do mundo, o Internacional de Paris, com 7 pavilhões, expositores do mundo todo e mais de 1 milhão de visitantes. Surpreende a não presença brasileira sob nenhum ângulo, pois somos hoje uma das três maiores agriculturas do planeta, e fizemos essa revolução tropical em cerca de 50 anos.

Portanto está na hora do Brasil conquistar percepções justas ao tamanho da sua realidade.

Porém somos “zero”, nada de Brasil, apenas com uma exceção. E como sabemos a exceção pode significar exatamente a prova necessária para a grande tese.

Um brasileiro vindo do Macapá, do Amapá, pensou que poderia ganhar a vida na França com uma ideia de comida brasileira. Principalmente a famosa picanha no modelo rodízio. Assim começou.  E daí como são os empreendedores ousados decidiu ter um restaurante brasileiro na área internacional do grande salão de agricultura.

E então? Um imenso sucesso, fila para entrar, o mais procurado dentre todas as ofertas gastronômicas que ė um lado importantíssimo do salão, pois além de tecnologias, manejos técnicos, inteligência artificial, sementes, agricultura regenerativa, animais e muitas ações com pets, o salão também exibe os terroir, com produtos in natura, e com a agroindústria de alimentos e bebidas presente.

E dentro dessa brutal competição, o amigo Cleomar do Macapá ganha de todos com a alegria, o samba do seu espaço, a marca Delícias do Brasil, a picanha, o vatapá, a feijoada, a caipirinha e até um irish brazilian coffee que ele inventou com cachaça no lugar de whisky.

E na atração do grande público, na frente do espaço Delícias do Brasil, ele tem dois churrasqueiros com um espeto de picanha nas mãos, uma faca muito afiada cortando fatias fininhas de picanha, as quais atraem espetacularmente a todos.

Desta forma, Brasil zero, mas um exemplo que deveria nos inspirar, considero obrigatório estarmos no coração das atenções planetárias de alimentos, energia, meio ambiente exatamente numa hora onde o mundo está pleno de riscos, incertezas e guerras tarifárias, sendo finalizado o acordo União Europeia e Mercosul.

Ao contrário do ano passado não tivemos manifestações raivosas de setores agrícolas franceses na porta do grande Centro de Exposições de Versalhes, e o presidente Macron inaugurou o salão de forma tranquila.

O Brasil atingiu uma dimensão de grande player mundial no campo da agricultura, não temos mais o direito de não sabermos nos comunicar e conquistar corações e mentes de clientes internacionais.

Como curiosidade neste ano, os bovinos foram impedidos de vir por uma ameaça de doença bovina não controlada na Europa. O que chama atenção, pois de tanto exigentes não puderam levar seus rebanhos ao salão. A soberania francesa alimentar continua sendo um debate intenso nas lideranças políticas, mas desta vez, não tenho dúvida, o acordo União Europeia Mercosul sairá por necessidade maior do que vontade de um lado ou do outro.

Direto de Paris, França, Salão de Agricultura Internacional! A bientot.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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