É a vez do Master. Ontem, foram Coroa-Brastel, Delfin, Banco Econômico e outros tais.
O caso Coroa-Brastel expôs o desvio de recursos públicos por meio de empréstimos da Caixa Econômica Federal concedidos em condições privilegiadas ao grupo do empresário Assis Paim Cunha.
O caso Delfin, revelado em 1982 por reportagem da Folha de S.Paulo, mostrou um empréstimo bilionário do extinto Banco Nacional da Habitação (BNH) ao Grupo Delfin, sustentado por garantias grosseiramente supervalorizadas.
À época, o grupo controlava a maior sociedade privada de crédito imobiliário do país, com 3,5 milhões de depositantes, e administrava o segundo maior volume de poupança do Brasil, atrás apenas da Caixa Econômica Federal.
O desfecho foi exemplar do padrão brasileiro: as dívidas foram liquidadas com a entrega de dois terrenos que, segundo se noticiou, valiam dez vezes menos do que o total das obrigações. O prejuízo ficou com a sociedade.
O Banco Econômico operou durante anos com patrimônio líquido negativo, protegido pelo peso político de seu controlador, Ângelo Calmon de Sá, então ministro de Estado. O rombo ao erário foi estimado em R$3 bilhões.
O fio condutor é sempre o mesmo: crises privadas resolvidas com dinheiro público, perdas empurradas para a população e um sistema que preserva os responsáveis enquanto distribui a conta via impostos, inflação ou perda de poupança.
Há, porém, uma diferença crucial entre esses episódios e o caso Master: a independência do Banco Central do Brasil.
A forma como esse caso será conduzido dirá se a autonomia técnica do Banco Central é, de fato, um avanço institucional — ou apenas mais um verniz jurídico para manter intocável a velha engrenagem de socialização de prejuízos.
Enquanto o Brasil não romper com essa tradição de blindagem financeira seletiva e fragilidade institucional, o futuro continuará previsível para apontar lucros privados em tempos de bonança e prejuízos públicos em tempos de crise.
A pergunta que fica é simples e incômoda: a independência do Banco Central será finalmente usada para quebrar esse ciclo — ou o caso Master entrará apenas para a lista dos escândalos bem resolvidos para poucos e pagos por muitos?
O que você me diz?