Master, em latim, Magister (guia)

Ouça este artigo:
0:00
0:00

É a vez do Master. Ontem, foram Coroa-Brastel, Delfin, Banco Econômico e outros tais.

O caso Coroa-Brastel expôs o desvio de recursos públicos por meio de empréstimos da Caixa Econômica Federal concedidos em condições privilegiadas ao grupo do empresário Assis Paim Cunha.

O caso Delfin, revelado em 1982 por reportagem da Folha de S.Paulo, mostrou um empréstimo bilionário do extinto Banco Nacional da Habitação (BNH) ao Grupo Delfin, sustentado por garantias grosseiramente supervalorizadas.

À época, o grupo controlava a maior sociedade privada de crédito imobiliário do país, com 3,5 milhões de depositantes, e administrava o segundo maior volume de poupança do Brasil, atrás apenas da Caixa Econômica Federal.

O desfecho foi exemplar do padrão brasileiro: as dívidas foram liquidadas com a entrega de dois terrenos que, segundo se noticiou, valiam dez vezes menos do que o total das obrigações. O prejuízo ficou com a sociedade.

O Banco Econômico operou durante anos com patrimônio líquido negativo, protegido pelo peso político de seu controlador, Ângelo Calmon de Sá, então ministro de Estado. O rombo ao erário foi estimado em R$3 bilhões.

O fio condutor é sempre o mesmo: crises privadas resolvidas com dinheiro público, perdas empurradas para a população e um sistema que preserva os responsáveis enquanto distribui a conta via impostos, inflação ou perda de poupança.

Há, porém, uma diferença crucial entre esses episódios e o caso Master: a independência do Banco Central do Brasil.

A forma como esse caso será conduzido dirá se a autonomia técnica do Banco Central é, de fato, um avanço institucional — ou apenas mais um verniz jurídico para manter intocável a velha engrenagem de socialização de prejuízos.

Enquanto o Brasil não romper com essa tradição de blindagem financeira seletiva e fragilidade institucional, o futuro continuará previsível para apontar lucros privados em tempos de bonança e prejuízos públicos em tempos de crise.

A pergunta que fica é simples e incômoda: a independência do Banco Central será finalmente usada para quebrar esse ciclo — ou o caso Master entrará apenas para a lista dos escândalos bem resolvidos para poucos e pagos por muitos?

O que você me diz?

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

Tecnologia alerta governo para risco operacional na Reforma Tributária em janeiro de 2027

Entidades de tecnologia alertam que falhas na integração dos sistemas podem comprometer a implementação da…

A Riqueza das Nações

Autor: Adam SmithPublicado originalmente em 1776, A Riqueza das Nações (An Inquiry into the Nature…

Etanol a 32%: o Brasil fortalece sua independência energética

A nova mistura de etanol na gasolina reduz importações, estimula a produção nacional e amplia…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *