Jornadas Cívicas debate propostas para fortalecer a governança política e democrática no Brasil

O debate “Jornadas Cívicas: Por uma Governança Política Íntegra e Democrática”, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, reuniu representantes de quatro organizações para discutir caminhos voltados ao aperfeiçoamento das instituições políticas brasileiras, à modernização do Estado e ao fortalecimento da democracia.

O encontro abordou temas como representatividade política, transparência partidária, reengenharia institucional, gestão pública e desenvolvimento econômico, reunindo diferentes perspectivas sobre os desafios estruturais enfrentados pelo país.

Renovação política e formação de lideranças

Representando o RenovaBR, Rodrigo Cobra destacou como foco principal da instituição a formação e renovação de lideranças políticas.

Segundo ele, existe atualmente uma crise de representatividade causada pela falta de densidade de pensamento nos partidos políticos, que acabam funcionando como “caixas pretas”, sem transparência interna.

A atuação do RenovaBR se concentra na seleção e formação de líderes de diferentes partidos, com critérios técnicos e éticos, buscando preparar atores capazes de aprimorar a democracia “de dentro para fora”.

Entre as preocupações apontadas durante o debate, Cobra mencionou o avanço do crime organizado infiltrado em estruturas partidárias e diretórios municipais.

O Instituto Atlântico defende reengenharia do Estado e revisão constitucional

Representando o Instituto Atlântico, Paulo Rabello de Castro apresentou uma visão centrada na necessidade de uma profunda transformação institucional e econômica no país.

Segundo ele, o Brasil precisa de uma “virada” institucional e econômica, argumentando que o sistema atual é disfuncional e produz baixo crescimento, insegurança jurídica e dificuldades estruturais para o desenvolvimento nacional.

Como proposta, o Instituto Atlântico defende uma matriz de reengenharia do Estado organizada em três etapas: destravar, estruturar e transformar.

Entre as medidas apresentadas está a realização de uma ampla Revisão Constitucional, com o objetivo de reequilibrar os poderes da República e redefinir o papel do Supremo Tribunal Federal como uma corte estritamente constitucional.

Durante a discussão, Paulo Rabello de Castro também ressaltou a importância de transformar ideias em ações concretas, defendendo a elaboração de propostas legislativas prontas para implementação, dentro da estratégia denominada “lista nos decretos”.

Transparência partidária e controle do gasto público

A Transparência Brasil foi representada por Juliana Sakai, que abordou o tema da transparência partidária e da integridade institucional.

Segundo Sakai, os partidos políticos enfrentam um elevado descrédito popular em razão da baixa democracia interna e da concentração de poder nas mãos de “donos de partidos”.

Como resposta a esse cenário, a organização trabalha na criação de um Ranking de Transparência Partidária, voltado a estimular melhores práticas de governança, prestação de contas e transparência dentro das siglas.

Entre as pautas defendidas pela entidade estão o combate aos supersalários no Judiciário, a ampliação da transparência nas emendas parlamentares e o monitoramento da alternância de poder nos diretórios partidários.

Gestão pública, meritocracia e redução de desigualdades

Representando a República.org e o projeto A Floresta, Guilherme César Coelho destacou a importância da valorização do serviço público e da melhoria da gestão de pessoas no Estado.

Segundo ele, para que a democracia funcione adequadamente, os governos precisam ser capazes de entregar serviços públicos de qualidade à população. Para isso, defendeu a valorização dos servidores que recebem salários compatíveis com a realidade brasileira, além do enfrentamento aos supersalários considerados uma expressão do patrimonialismo estatal.

Através do projeto República.org, a organização desenvolve iniciativas voltadas à modernização dos concursos públicos e da gestão de recursos humanos do Estado, além de promover premiações voltadas à valorização de boas práticas no serviço público.

Na área econômica, por meio do braço Mais Progresso, a instituição defende um sistema tributário menos regressivo, com redução da carga sobre o consumo e maior incidência sobre renda e patrimônio, como forma de estimular crescimento econômico e reduzir desigualdades.

O encontro evidenciou diferentes diagnósticos sobre os desafios da democracia brasileira, mas também convergências em torno da necessidade de modernização institucional, fortalecimento da governança pública e aprimoramento dos mecanismos de representação política.

Veja a Live na íntegra:

Ficha técnica:
Abertura e boas-vindas:

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