Hoje, dia 13 de dezembro.

Senador Jarbas Gonçalves Passarinho nasceu no dia 11/01/1920 em Xapuri (AC). Em 15 de junho de 1964 foi empossado governador do Pará em lugar do deposto Aurélio do Carmo cuja presença à frente do executivo foi dispensada pelo novo regime. Jarbas Passarinho filiou-se à ARENA e após deixar o governo foi eleito senador em 1966, mas em seguida foi nomeado ministro do Trabalho e Previdência Social no governo Costa e Silva sendo mantido no cargo pela Junta Militar de 1969 que assumiu o poder após o afastamento do presidente da República até que o presidente Emílio Garrastazu Médici o nomeou ministro da Educação. Reeleito senador em 1974 foi um dos poucos arenistas a vencer no pleito daquele ano e com o passar dos anos foi um dos fundadores do PDS e presidiu o Senado Federal (1981-1983) durante o governo João Figueiredo. Sua liderança foi posta à prova a partir do cisma entre ele e Alacid Nunes, outrora seu maior aliado. Progressivamente afastados cada um usou de influência para controlar o PDS local e como Passarinho dispunha do apoio de Brasília os alacidistas apoiaram e elegeram o deputado federal Jader Barbalho governador do Pará em 1982, mesmo ele sendo filiado ao PMDB. No mesmo ano Passarinho foi derrotado por Hélio Gueiros na disputa pelo Senado. Um ano depois foi nomeado ministro da Previdência Social pelo presidente João Figueiredo. Por ocasião das eleições de 1986 aceitou uma coligação com o PMDB de Jader Barbalho e nisso Hélio Gueiros foi eleito governador com Almir Gabriel e Jarbas Passarinho eleitos senadores, porém o acerto não o demoveu de fazer oposição ao governo José Sarney. Eleito presidente do diretório nacional do PDS, renunciou pouco antes das eleição presidencial de 1989. Ministro da Justiça no governo Fernando Collor, deixou o cargo antes das investigações que resultariam no impeachment presidencial. Seu papel de maior relevo foi o de presidente da CPI do Orçamento, todavia esse fato não impediu sua derrota quando concorreu ao governo do Pará pelo PPR em 1994 derrotado por Almir Gabriel. Foto: Senado Federal

Há 56 anos, neste mesmo dia e mês, os agentes do Estado brasileiro entronizados no poder, decidiram romper com a própria consciência. Não foi um gesto impulsivo, nem um acidente institucional. Foi uma decisão fria, anunciada em voz alta e registrada para a História.

“Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.”

Pronunciada por um coronel travestido de ministro de Estado, a frase anunciou o Ato Institucional número 5 (AI-5). Jarbas

Passarinho aplainou o caminho para dar passagem a mais um tempo sombrio na política brasileira.

A legalidade foi o álibi para o uso da força como método de ação política.

Eis aí uma questão que precisa estar sempre presente no debate político: o que está previsto em lei é legal, mas se a lei não está firmada na vontade do povo e, principalmente se é usada contra ele, não é legítima.

Uma democracia é firmada na legitimidade, de tal modo que ela, somente ela, justifique a existência das leis.

Mas, o que são os escrúpulos deixados de lado por Jarbas Passarinho? Escrúpulos são os freios internos que impedem alguém de fazer o que sabe que é errado, mesmo quando isso lhe traria vantagem, poder ou aplauso. São a voz incômoda da consciência; o desconforto moral que surge antes da injustiça e aquilo que faz alguém hesitar diante do desejo de atropelar regras, pessoas ou instituições.

Ter escrúpulos é reconhecer limites. Abrir mão deles é declarar que vale tudo pelo poder. Quando Jarbas Passarinho disse “às favas os escrúpulos de consciência”, ele deixou claro: sabemos que é errado o que faremos em seguida, mas faremos assim mesmo.

Não houve ingenuidade. Houve escolha.

Sempre que a política abandona os escrúpulos, as normas de convívio social passam a ser vistas como obstáculos e nunca como garantias; as instituições são tratadas como instrumentos e não limites; os adversários viram inimigos; as exceções viram regras e o interesse dos poderosos passa a justificar toda e qualquer ação.

A ditadura não grita. Ela racionaliza, se explica e se ampara na legalidade, para ter aparência de democracia. Já nos vimos isso o suficiente para compreender como as ditaduras funcionam e se justificam?

Desconheço uma frase mais honesta e assustadora sobre o exercício do poder do que aquela dita pelo senhor Jarbas

Passarinho no dia 13 de dezembro de 1968. Ele, independente do que tenha sido ou tenha feito, será lembrado sempre pelo dia em que mandou às favas todos os escrúpulos da consciência, para autorizar o AI-5, ato legal que patrocinou, censuras, mortes, prisões e exílios.

O verdadeiro divisor de águas entre a ditadura e a democracia não é ideológico, nem jurídico, nem institucional. É, portanto, moral. Na dúvida, por favor, confira. Está fácil conferir.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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