Durante o fórum “Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade: um equilíbrio necessário”, promovido pelo LIDE Mato Grosso, o presidente do Atlântico, Gustavo de Oliveira, fez uma firme defesa da mineração como setor essencial para o futuro do Brasil e do mundo. Em sua fala, destacou que o debate sobre sustentabilidade não pode ignorar o papel estratégico da atividade mineral em três grandes transições em curso: energética, alimentar e digital.
“Não é possível pensar num mundo sem mineração”, afirmou. Para Gustavo, o desafio central é enfrentar os preconceitos históricos que cercam o setor e reposicioná-lo como aliado do desenvolvimento sustentável. “Sempre que se fala em mineração no contexto da sustentabilidade, parece que já chegamos devendo”, observou, ao destacar que a imagem da mineração ainda está presa a modelos antigos, como a corrida pelo ouro ou grandes minas a céu aberto.
O presidente do Atlântico argumentou que a mineração é indispensável para a transição energética, com minerais estratégicos como cobre, níquel e lítio fundamentais para fontes limpas de energia. Também é vital para a segurança alimentar, ao fornecer fósforo, potássio e gesso para a agricultura sustentável, e insubstituível na economia digital, com elementos como silício, grafite e terras raras.
“O mundo precisa do Brasil”, destacou. “E o Brasil precisa assumir sua soberania sobre os recursos minerais.” Gustavo alertou para a fragilidade institucional do setor, citando a precariedade da Agência Nacional de Mineração (ANM), que, segundo ele, carece até mesmo de recursos básicos para operar. Ele defendeu um fortalecimento da governança mineral para garantir que essa riqueza seja transformada em benefícios sociais concretos.
Sobre a controvérsia da exploração de petróleo na Margem Equatorial, Gustavo defendeu um debate técnico e responsável. “Não se trata mais de minerar ou não minerar, mas de como minerar”, afirmou. Para ele, negar o aproveitamento de recursos naturais estratégicos é negar à população brasileira o direito ao desenvolvimento.
Ao citar exemplos de mineração moderna com baixo impacto ambiental, como o projeto subterrâneo da empresa Nexa em Aripuanã – MT, Gustavo comparou a evolução do setor a uma cirurgia minimamente invasiva. “O que antes era um corte profundo, hoje são três pequenos acessos. Isso transforma realidades locais e gera desenvolvimento com responsabilidade”, ressaltou.
Encerrando sua fala, Gustavo de Oliveira reafirmou seu compromisso com o Atlântico, agradecendo o convite de Paulo Rabello de Castro para presidir a entidade. Disse que a experiência tem transformado sua visão de país e reiterou sua crença na capacidade de reconstrução do Brasil: “Este país tem jeito, sim. Mas não pode ter jeitinho. Não pode viver de improviso. O Brasil precisa de estratégia, de projeto, de compromisso verdadeiro com o futuro.”