O lançamento da obra “Amazônia, a Maldição de Tordesilhas” reabre uma reflexão necessária sobre a relação entre soberania, meio ambiente e desenvolvimento
O debate sobre a Amazônia ganha novo fôlego durante a COP30, em Belém, com o lançamento do livro “Amazônia, a Maldição de Tordesilhas – 500 anos de cobiça internacional”, de Aldo Rebelo. O ex-ministro participa, no dia 13 de novembro, a partir das 9h, de uma conversa no Pavilhão CNA – Agrizone – Casa da Agricultura Brasileira – Embrapa – Amazônia Ambiental, integrando a programação oficial do evento que reúne lideranças políticas, especialistas e representantes de diversos países em torno das discussões climáticas.

A obra, publicada pela Editora Arte Ensaio, com apoio da FSB Holding, da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, revisita cinco séculos de disputas políticas, econômicas e culturais em torno da floresta amazônica. Ao resgatar personagens como Orellana, Ajuricaba e Pedro Teixeira, Aldo Rebelo traça um panorama histórico que conecta as origens coloniais da ocupação territorial às pressões contemporâneas por tutela internacional da região.
Amazônia, soberania e o papel do Brasil no século XXI
O Atlântico tem acompanhado, ao longo dos anos, o amadurecimento desse debate. Em diversas publicações, o Instituto tem reiterado que a defesa da soberania nacional passa pela compreensão estratégica de nossos biomas, especialmente a Amazônia, que concentra não apenas a maior biodiversidade do planeta, mas também reservas minerais, energéticas e hídricas de valor incalculável.
A fala de Aldo Rebelo na entrevista à Rádio Bandeirantes reforça essa mesma linha de reflexão: a Amazônia é a região mais rica do mundo — e, por isso, alvo de cobiça desde antes de ser plenamente conhecida. A partir do Tratado de Tordesilhas, a floresta passou a ser objeto de acordos e disputas internacionais que, de formas distintas, se perpetuam até hoje.
A perspectiva do autor converge com análises já desenvolvidas pelo Atlântico em temas como autonomia energética, equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável, apontando que a preservação da floresta não deve ser confundida com estagnação econômica ou renúncia à soberania produtiva. O verdadeiro desafio brasileiro consiste em conciliar conservação ambiental com prosperidade social, garantindo que o futuro da Amazônia esteja nas mãos de seus próprios habitantes e do Estado brasileiro.
Desenvolvimento e identidade nacional
Ao discutir o lugar da Amazônia na formação do Brasil, Aldo Rebelo propõe uma reflexão sobre identidade nacional e sobre a necessidade de reafirmar a Amazônia como parte essencial do projeto de país. O livro questiona a visão de que o bioma deve ser isolado como “santuário” intocável, e propõe um modelo em que ciência, tecnologia e conhecimento tradicional caminhem juntos para promover um desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Essa perspectiva dialoga diretamente com a visão institucional do Instituto, que defende que a sustentabilidade é inseparável do desenvolvimento humano e econômico. A agenda ambiental brasileira, quando construída sobre fundamentos de soberania, ciência e planejamento de longo prazo, tem potencial de tornar o país líder global em soluções para a transição verde e para o combate à pobreza.
Um livro que chama à ação
Num momento em que os olhares do mundo estão voltados para a Amazônia, a contribuição literária de Aldo Rebelo traz informações históricas e questões da atualidade a partir do olhar de um estudioso profundamente conhecedor da realidade brasileira. A obra conduz o leitor por um percurso que vai da floresta e sua biodiversidade aos impactos climáticos e ao papel do Brasil no equilíbrio ambiental do planeta.
Mais do que um relato histórico, “Amazônia, a Maldição de Tordesilhas” é um chamado à ação. Ao compreender a complexidade e a riqueza da região, o leitor é convidado a refletir sobre o dever coletivo de proteger a Amazônia não como patrimônio da humanidade, mas como tesouro soberanamente brasileiro — uma ideia que o Atlântico reafirma como princípio central de qualquer política pública responsável.
O lançamento da obra durante a COP30 reforça a urgência de recolocar a Amazônia no centro do projeto nacional de desenvolvimento. Como destaca o próprio Aldo Rebelo, “proteger a floresta e desenvolver o país não são objetivos opostos, mas complementares”.
Para o Instituto, essa é uma agenda estratégica que precisa ser conduzida com equilíbrio entre visão ambiental, econômica e institucional, preservando o que há de mais valioso na Amazônia: a soberania do Brasil sobre seu território e o direito de seu povo a um futuro sustentável e próspero.