O legado intelectual do jurista e desembargador Ney Prado foi celebrado na reedição de sua obra Razões das Virtudes e Vícios da Constituição de 1988, em um evento transmitido ao vivo no dia 6 de outubro de 2025. A nova edição do livro, originalmente publicado em 1995, reacende debates fundamentais sobre o constitucionalismo brasileiro e homenageia um dos pensadores mais lúcidos e críticos da transição democrática do país.
A reedição é uma realização do Instituto Liberal, com apoio institucional da Lexum (lexum.substack.com), do Instituto Brasileiro de Direito e Religião – IBDR (idbr.org.br), do Instituto Livre Mercado (livremercado.org.br) e do Instituto Ives Gandra (institutoivesgandra.com.br).
A mesa virtual de lançamento contou com a presença de nomes importantes do pensamento jurídico e liberal no Brasil:
- Professor Ives Gandra Martins, jurista e constitucionalista;
- Luiz Alberto Machado, economista e ex-diretor do Instituto Liberal de São Paulo;
- Leonardo Corrêa, advogado e autor do livro A República e o Intérprete;
- Alex Catharino, organizador da nova edição, gerente de projetos e conselheiro do Instituto Liberal.
O pensador que antecipou os problemas da Constituição
Ney Prado foi secretário-geral da Comissão dos Notáveis, responsável por um anteprojeto de Constituição antes da Constituinte de 1987. Ao perceber o viés ideológico do texto então proposto, teve a coragem de denunciar publicamente as distorções presentes no projeto, num artigo que se tornou manchete da Revista Manchete na época.
Além de seu profundo conhecimento jurídico, Prado era reconhecido por sua visão crítica, sua capacidade de antecipar problemas estruturais e sua defesa firme dos pilares da democracia. Como destacou o professor Ives Gandra Martins, “o que impressionava no Ney era o profundo conhecimento de direito, sociologia, história e um senso de humor extraordinário — e, acima de tudo, um profundo sentido de democracia”.
Destaques do evento
Durante a transmissão, o professor Ives Gandra Martins relembrou debates constituintes vividos ao lado de Ney Prado e alertou para os riscos atuais do ativismo judicial:
“A liberdade de expressão é a essência da democracia. Quando começa a ser limitada, a democracia corre risco.”
Luiz Alberto Machado destacou o caráter visionário de Prado ao apontar, já nos anos 1990, as amarras fiscais e os excessos programáticos da Constituição de 1988:
“Muito criticado na época, Ney Prado foi um dos poucos a advertir que a comemorada Constituição tinha mais vícios do que virtudes.”
Leonardo Corrêa, autor do posfácio da nova edição, ressaltou a convergência entre suas ideias e as de Ney Prado, especialmente no que diz respeito à crítica ao decisionismo e ao juiz legislador:
“Constituições programáticas demais entregam ao juiz o poder de governar. E, quando o juiz governa, o povo deixa de ser soberano.”
Alex Catharino, responsável pela organização da reedição, compartilhou memórias pessoais e a importância formativa de Ney Prado em sua trajetória intelectual:
“Ney foi um mestre, um amigo, uma pessoa generosa, com um grande senso de humor e uma grande cultura. Recuperar sua memória é recuperar um dos grandes pensadores brasileiros de sua geração.”
Um convite ao debate constitucional
O livro Razões das Virtudes e Vícios da Constituição de 1988 não será comercializado, mas distribuído aos associados do Instituto Liberal em seu programa anual de publicações. A reedição reafirma o compromisso dessas instituições com o debate jurídico de qualidade e a valorização de pensadores brasileiros que contribuíram para a formação de uma consciência constitucional mais crítica e responsável.
Siga e conheça mais sobre os apoiadores da reedição:
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