Juros altos e dívida pública: o custo invisível de R$ 1 trilhão para o brasileiro

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A recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixou claro: não há expectativa de queda da taxa Selic no curto prazo. Para o economista Paulo Rabello de Castro, isso significa que os brasileiros continuarão arcando com um custo elevadíssimo – tanto como consumidores quanto como contribuintes.

Em entrevista ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, Rabello criticou a falta de transparência do Banco Central ao não revelar, nas atas do Copom, o impacto direto dessa política de juros altos sobre o dia a dia da população. “Deveria ser obrigatório o Banco Central calcular e divulgar quanto custa manter a Selic nesse patamar. Hoje, o custo da rolagem da dívida pública ultrapassa R$ 1 trilhão por ano, uma conta que recai sobre os ombros de todos os brasileiros”, afirmou.

Segundo ele, os efeitos dos juros elevados vão muito além do encarecimento do crédito. O impacto se estende à própria sustentabilidade das contas públicas. Ao explicar a diferença entre déficit primário (sem considerar o pagamento de juros) e o déficit total (que inclui os juros da dívida), Rabello alertou para a distorção contábil usada para mascarar o verdadeiro rombo. “O déficit total é o que realmente importa, e ele é muito maior do que o déficit primário. Mas é justamente essa parte que fica escondida.”

Essa política monetária, segundo Rabello, alimenta um ciclo perigoso: o governo precisa captar mais recursos para cobrir déficits sucessivos, emitindo novos títulos da dívida que são remunerados a juros altíssimos. “É um jogo especulativo que beneficia uma minoria com capacidade de investimento, enquanto sacrifica a maioria da população com impostos e serviços públicos precarizados”, disse.

Durante o debate com os jornalistas Pedro Campos, Cláudio Humberto e Sônia Blota, Rabello foi direto: “O Banco Central age como se estivesse na Europa ou nos Estados Unidos, buscando uma meta de inflação de 3% ao ano, quando a realidade brasileira é outra – com contratos indexados, preços administrados e instabilidade nos custos de energia, saúde e educação.”

Ele destacou ainda que a inflação real já aponta para baixo, com alimentos e combustíveis registrando queda, e que o índice acumulado em 12 meses está em 4,8% – apenas 0,3 ponto percentual acima do teto da meta. “Não faz sentido comprometer R$ 1 trilhão por ano só para atingir um índice de 4,5%. É uma política que precisa ser urgentemente revista”, concluiu.

Para o Instituto Atlântico, é dever das instituições alertar e esclarecer a sociedade sobre o verdadeiro custo das decisões econômicas. A política de juros altos, além de travar o crescimento, transfere renda dos mais pobres para os mais ricos – e isso precisa estar claro no debate público.

Assista a entrevista completa no Jornal Gente no canal da Rádio Bandeirantes

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