Publicado originalmente no perfil do LinkedIn de Gustavo de Oliveira, em 25 de maio de 2026.
No Dia da Indústria, comemorado em 25 de maio, é importante fazer uma reflexão que raramente aparece de forma equilibrada no debate público brasileiro: produzir, empregar e empreender no Brasil se tornou uma atividade de resistência.
Existe um erro semelhante ao que vemos no debate sobre o fim da escala 6×1: transformar todo empresário em vilão. Como se todo empregador brasileiro fosse um grande conglomerado bilionário, com margens infinitas e capacidade ilimitada de absorver custos, impostos e obrigações.
Essa caricatura ignora completamente o Brasil real.
A maior parte das empresas brasileiras — industriais, comerciais, agrícolas ou de serviços — é formada por negócios familiares, pequenos e médios empreendimentos que operam sob enorme pressão. Empresas que acordam todos os dias enfrentando um conjunto de custos e dificuldades praticamente exclusivos do Brasil.
Falo isso também do ponto de vista pessoal.
Sou industrial, faço parte da terceira geração de uma empresa familiar e acompanho diariamente o esforço necessário para manter um negócio vivo no Brasil. Não estamos falando apenas de lucro ou números em planilhas. Estamos falando de famílias inteiras que carregam a responsabilidade de preservar empregos, honrar compromissos, investir, produzir e atravessar crises sucessivas sem o mesmo ambiente de apoio encontrado em países com cultura empreendedora mais desenvolvida.
Aqui, o empresário brasileiro convive com insegurança jurídica permanente, mudanças constantes de regras, juros extorsivos, excesso de burocracia, carga tributária sufocante, encargos trabalhistas elevados e um ambiente onde o Estado cobra muito, mas entrega pouco.
Além disso, existe um custo invisível que raramente entra no debate: o papel social assumido pelas empresas.
No Brasil, muitas vezes é a empresa que precisa complementar aquilo que o poder público não consegue oferecer adequadamente. Plano de saúde privado porque o sistema público não atende. Vale-alimentação reforçado porque o custo de vida disparou. Empréstimos consignados para socorrer funcionários endividados. Apoio psicológico. Transporte. Qualificação. Auxílio emergencial informal em momentos de crise familiar.
Em muitos casos, o empresário brasileiro acaba funcionando também como assistente social, banco, mediador e rede de proteção dos seus colaboradores.
E tudo isso ocorre enquanto a produtividade nacional é impactada por fatores estruturais que também quase nunca entram na conta: excesso de feriados, baixa infraestrutura logística, insegurança nas cidades, dificuldade de mão de obra qualificada e um sistema tributário caótico que consome tempo, dinheiro e competitividade.
Defender melhores condições de trabalho é legítimo. Buscar equilíbrio entre vida pessoal e profissional também é necessário. Mas qualquer debate sério sobre jornada de trabalho, custos trabalhistas ou relações entre capital e trabalho precisa reconhecer a realidade de quem produz no Brasil.
Não existe país forte sem cultura empreendedora. E também não existe indústria sustentável tratando quem gera empregos como inimigo da sociedade.
Neste Dia da Indústria, talvez seja o momento de valorizar mais quem empreende no Brasil. Valorizar quem assume riscos, investe o próprio patrimônio, atravessa crises, paga salários em dia e continua acreditando no país mesmo diante de tantas dificuldades.
O empreendedor brasileiro não pede privilégios. Pede apenas condições mais justas para produzir, competir e continuar fazendo aquilo que sempre sustentou o desenvolvimento de qualquer nação: trabalhar, investir e gerar oportunidades.