Não temos um plano

https://br.freepik.com/fotos-gratis/o-corretor-da-bolsa-esta-trabalhando-em-uma-sala-de-monitoramento-com-telas-conceito-do-grafico-da-financa-dos-estrangeiros-de-troca-da-bolsa-de-valores-empresarios-negociando-acoes-on-line_9277159.htm#fromView=search&page=2&position=39&uuid=92155a51-b65c-4fbb-a060-3e3df01837cc

Na última semana, o Brasil testemunhou mais um capítulo preocupante na gestão das finanças públicas. Após o fracasso do “arcabouço fiscal” lançado em 2023, o Ministro da Fazenda apresentou um aguardado pacote de corte de gastos, na tentativa de melhorar o cenário fiscal do país.

O anúncio, no entanto, foi marcado por uma comunicação deficiente. Ao incluir medidas como a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5.000 — uma promessa de campanha — o governo sinalizou a ampliação do déficit em um momento que exigia contenção de despesas e aumento de receitas. Essa abordagem gerou desconfiança no mercado, resultando em alta de juros, rebaixamento da nota de crédito do país e a cotação do dólar ultrapassou R$ 6,00 pela primeira vez.

Essa tentativa de agradar a todos, sem um plano econômico coerente, evidencia a falta de uma estratégia clara após dois anos de governo. O governo ora quer cortar gastos, ora quer aumentar despesas para fazer política. Lula fica dividido entre governar para o país, governar só para seus eleitores e governar só para o PT e, com isso, não avança com coragem em nenhuma direção.

A promessa de pacificar o país não se concretiza, pois Brasília permanece paralisada pelo temor de um retorno ao passado político. Incidentes menores são amplificados, e o país não avança em direção à estabilidade; ao contrário, as divisões se aprofundam.

A confusão institucional agrava os impasses: o legislativo, ao invés de legislar, quer mais emendas para se tornar uma espécie de segundo Poder Executivo. O Poder Judiciário, diante da omissão do legislativo, acaba legislando. E o Executivo, que deveria executar, acaba gastando tempo e energia fazendo costuras políticas que o engessam cada vez mais e terceirizam suas ações.

No campo econômico, a ausência de um plano estruturado impede o avanço de setores promissores, como a bioeconomia. O governo continua a sustentar indústrias obsoletas, dividindo recursos entre empresas emergentes e setores tradicionais que já não competem em nível global.

O crescimento econômico robusto permanece uma promessa vazia. Em vez de reduzir o tamanho da máquina pública, atrair investimentos estrangeiros e requalificar a força de trabalho, o país está preso ao corporativismo, ideologia e clientelismo.

Poderíamos detalhar inúmeros problemas em diversas áreas, mas como o objetivo não é cansar o leitor, vamos logo à conclusão que é clara: não temos um plano. Seguimos à deriva, esperando por ventos favoráveis que dificilmente soprarão antes do final de 2026.

Gustavo de Oliveira Gustavo de Oliveira é empresário em Cuiabá-MT (gustavo@britaguia.com.br  www.linkedin.com/in/gustavopcoliveira)

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

Tecnologia alerta governo para risco operacional na Reforma Tributária em janeiro de 2027

Entidades de tecnologia alertam que falhas na integração dos sistemas podem comprometer a implementação da…

A Riqueza das Nações

Autor: Adam SmithPublicado originalmente em 1776, A Riqueza das Nações (An Inquiry into the Nature…

Etanol a 32%: o Brasil fortalece sua independência energética

A nova mistura de etanol na gasolina reduz importações, estimula a produção nacional e amplia…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *