A produção industrial de abril em relação a março registrou
uma queda de 18,8%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física
(PIM-PF) do IBGE. Foi o pior resultado da série iniciada em 2002. Em comparação
com a produção industrial brasileira em abril de 2019, a queda foi de 27,2%.
Apesar da pandemia de Covid-19 ter afetado apenas as últimas semanas
do mês, provocou uma queda de 9% da produção industrial de março em relação a
fevereiro. Já o PIB do primeiro trimestre teve uma queda de 1,5%, na comparação
com os últimos três meses de 2019. A perspectiva para o segundo trimestre é de
um impacto ainda maior.
Os dados da PNAD/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios) sobre o nível de ocupação corroboram esta impressão, com uma queda
de 92,9 milhões no primeiro trimestre para 89,7 milhões nos meses de fevereiro
a abril, indicando uma volta ao patamar de meados de 2017.
Mesmo, com uma expectativa de reversão da pandemia no segundo
semestre e a não ocorrência de uma segunda onda de contágio, vários analistas já
revisaram as suas projeções sobre o PIB deste ano, prevendo uma queda ainda
maior. A recuperação em “V”, como acredita o ministro da Economia Paulo Guedes,
parece a hipótese menos provável.
Ritmo lento
O governo tem mostrado dificuldade para colocar em prática as
medidas de combate à crise, anunciadas em março. Houve atraso na liberação da
primeira e segunda parcela do auxílio emergencial, sendo que parte dos
cadastrados ainda não recebeu nada. No plano financeiro, medidas como a
liberação dos depósitos compulsórios e empréstimos aos bancos com garantias em
debêntures não resultaram em expansão do crédito para as micro e pequenas
empresas. A própria equipe econômica admite que as linhas de crédito para os
pequenos negócios foram pouco utilizadas e busca reformulá-las, isto quase três
meses depois do início do isolamento social.
Em contraste com a situação brasileira, as ações tomadas pela
maioria dos países centrais começaram a surtir efeito. A seriedade na condução
da crise sanitária reduziu o número de casos e está permitindo a retomada das
atividades. As amplas medidas tomadas para sustentar o nível de renda, além de
evitar problemas nos mercados e calotes generalizados, estão fazendo o mercado
financeiro acreditar na recuperação rápida e apresentar indicadores positivos.
Os estímulos monetários realizados pelos principais bancos centrais no mundo
também estão contribuindo para as expectativas positivas, auxiliando inclusive a
recuperação da Bolsa brasileira.
O Atlântico – Instituto de Ação Cidadã tem destacado desde o início da crise a importância e a urgência de medidas amplas e coordenadas para combater os graves efeitos da pandemia sobre a economia brasileira. Longe de fazer a “crônica de uma morte anunciada”, apontamos soluções para retomar o crescimento e superar este momento tão difícil de nossa história. Diante do agravamento da crise, convocamos nossos membros e apoiadores para defender a aplicação de medidas de estímulo à economia e a defesa das empresas brasileiras.