Super quarta dos juros
Paulo Rabello de Castro e Marcel Caparoz
Os olhos do mercado financeiro estavam focados nas decisões da última quarta, 15 de junho, sobre as taxas de juros nos EUA e no Brasil. Por lá, o FED apertou a condução da política monetária, com uma alta de 0,75 p.p., indicando mais juros nas próximas reuniões. Por aqui, o COPOM caminha para o fim do ciclo de alta dos juros, com um novo aumento de 0,50 p.p., levando a SELIC para 13,25% ao ano. Além disso, repercute também a reunião extraordinária convocada pelo BCE para discutir a crise nos títulos da dívida dos países latinos do bloco. A explosão da liquidez financeira dos últimos anos começa a cobrar o seu preço.
Sinais Extraterrenos
Assim como a China diz haver detectado sinais de seres extraterrenos, esta SUPER QUARTA sinaliza um desastre não calculado pelas autoridades monetárias mundiais: a volta dos altos custos de rolar dívidas públicas bem superiores a 100% do PIB. O Brasil, ao contrário, se tornou craque nisso após décadas de sofrimento. Mas os EUA, Europa e China achavam que jamais teriam que enfrentar juros reais positivos. Gerar déficits fiscais se tornou hábito para eles. Aparentemente sem custo. Não mais. A rolagem de títulos no mercado será penosa, se não gravosa. Vem tempestade pesada.

Paulo Rabello de Castro, formado em Economia e Direito, Ph.D pela Universidade de Chicago, ex-Presidente do BNDES e do IBGE, fundador e sócio da RC Consultores. Foi Presidente do Instituto Atlântico e fundador da OSCIP Instituto Maria Stella. Fundou o Movimento Brasil Eficiente que propõe uma simplificação da carga tributária e mais eficiência dos gastos público. É autor de mais de 10 livros, entre os quais O Mito do Governo Grátis, Rebeldia e Sonho e Lanterna na Proa. CLIQUE PARA FALAR COM O AUTOR.

Mestre em Economia pela FGV, na área de Macroeconomia financeira. Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA-USP. Analista Sênior da RC Consultores desde 2013. Foi analista da SR Rating em 2012, sendo responsável pela área de avaliação e classificação de risco da agência. Trainee na Safdié Gestão de Patrimônio (2011), onde contribui para a estruturação da área de clientes Offshore da companhia.
O artigo acima não representa, necessariamente, a opinião do Atlântico.