Paulo Rabello de Castro defende uso estratégico da sustentabilidade como ativo econômico e geopolítico do Brasil

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Durante sua participação no evento promovido pelo LIDE Mato Grosso, com o tema “Desenvolvimento econômico e sustentabilidade: um equilíbrio necessário”, o conselheiro e presidente de honra do Atlântico Instituto de Ação Cidadã, Paulo Rabello de Castro, defendeu a urgência de transformar a sustentabilidade em uma política concreta de geração de riqueza para o país. Para ele, o Brasil deve assumir protagonismo internacional não apenas por suas reservas naturais, mas por saber precificar o valor da preservação ambiental com inteligência estratégica.

Rabello começou lembrando sua trajetória no LIDE Economia e enalteceu a fala do ex-presidente Michel Temer, presente no evento. Em sua intervenção, enfatizou que não é possível falar de desenvolvimento sustentável sem dados concretos — e criticou a deficiência histórica do Brasil em produzir estatísticas confiáveis, sobretudo sobre uso e cobertura da terra. “Sem números, não há evidências. E sem evidências, só restam opiniões vagas. É por isso que temos perdido a capacidade de nos defender nos fóruns internacionais.”

Ao citar o levantamento do IBGE sobre cobertura e uso da terra, atualizado pela última vez em 2020, Rabello expôs a evolução da ocupação agrícola no Brasil desde os anos 1980. Ele apontou que a antiga expansão sobre vegetação nativa vem sendo substituída por uma reciclagem produtiva de áreas já abertas, como pastagens degradadas. “Hoje, mais de 60% da expansão agrícola se dá sobre áreas reaproveitadas. Isso é economia circular aplicada ao campo”, afirmou.

Para o economista, é hora de o Brasil inaugurar uma nova fase: uma expansão planejada e harmoniosa, que integre sustentabilidade, agricultura, mineração, industrialização e urbanização de forma coordenada. “Temos que casar desenvolvimento com sustentabilidade — e isso só se faz colocando preço naquilo que não tem preço.”

Rabello propôs a criação de um Fundo de Cobertura Natural (FCN), que permitiria transformar áreas preservadas em ativos econômicos mensuráveis, atraindo investimentos internacionais e inserindo os serviços ambientais no cálculo do PIB. “Preservar tem que gerar renda. O Pantanal, a Amazônia, as terras devolutas — tudo isso precisa deixar de ser ‘capital morto’. É patrimônio com valor econômico.”

O conselheiro sugeriu que esse fundo inicial, estimado em R$ 100 bilhões, poderia ser alimentado por recursos internacionais, especialmente dos países que estarão na COP 30. “É hora de parar de se defender e começar a propor. Vamos mostrar ao mundo, em inglês, francês ou chinês, que o Brasil sabe como transformar sustentabilidade em renda.”

Ao final de sua fala, Paulo Rabello fez um alerta sobre o colapso do atual modelo previdenciário brasileiro e defendeu a criação de um novo sistema baseado na capitalização real. Ele propôs que fundos como o FCN, a exploração da margem equatorial e receitas da mineração sejam direcionados para um regime previdenciário robusto, transparente e conectado com os cidadãos. “A falência do INSS não é o fim — é uma oportunidade de reconstrução. Vamos usar os recursos do país para financiar o futuro da nossa previdência.”

Em tom direto, Rabello concluiu: “O Brasil não tem problemas. O único problema do Brasil é continuar conversando fiado. Está na hora de fazer contas, precificar nossa riqueza e agir com seriedade.”

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