O futuro e o passado

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Como será o amanhã?

Responda quem souber… O que será, será. O Brasil atravessa um período de grande incerteza devido à proximidade de uma eleição que não definirá apenas o novo presidente, governadores e o Legislativo. Qualquer que seja o resultado das urnas, haverá mudanças substanciais na economia e, possivelmente, na vida política e social do país.

Mesmo em caso de reeleição do presidente Lula, as condições atuais da economia exigirão mudanças, independentemente da política econômica adotada. O coordenador do programa econômico — ou um dos economistas influentes do partido, José Sérgio Gabrielli — afirmou, em reunião com o mercado financeiro, que não haverá ajuste fiscal no sentido esperado pelos agentes econômicos, mas sim a continuidade da política de “gasto é vida”, incluindo a valorização do salário mínimo. As tímidas declarações do ministro da Fazenda em favor do ajuste fiscal perdem-se na contradição com a política atual de bondades eleitorais.

A deterioração das contas públicas, no entanto, torna inviável a continuidade dessa política. Apesar do forte aumento da carga tributária, que eleva a dívida pública a mais de 80% do PIB e já exige taxas maiores e prazos mais curtos para os títulos do Tesouro, soma-se o alto grau de endividamento do setor privado (pessoas físicas e empresas). Ou seja, o passado não poderá ser e não será o futuro, mesmo que a política econômica permaneça a mesma. O resultado seria desastroso nesse caso, levando à recessão e ao descontrole da inflação.

A hipótese de que, diante dessa realidade o presidente Lula adotará a austeridade é arriscada, pois essa política contraria a gênese do partido e do presidente, cujos interesses estabelecidos são muito fortes. A experiência do governo Dilma II deve ser lembrada: apesar das diferenças de estilo dos personagens, a essência do partido continua a mesma.

Por outro lado, não se vislumbra qual seria a política de outro presidente eleito, pois as menções ao ajuste fiscal são superficiais e a gravidade da economia exige austeridade rigorosa desde o início do mandato. Para a população, seja quem for o eleito, será um ano de sacrifícios.

A diferença é que, se o novo governante tiver credibilidade, o ajuste será mais suave, pois os agentes econômicos antecipam ações quando há confiança e previsibilidade. O essencial é romper o vínculo com o passado.

O que não podemos fazer é nos acomodar como na canção “O amanhã (O que será, será)”. O futuro será o resultado de nossas escolhas não apenas para a presidência, mas também para o Congresso.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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