Nos últimos anos, a economia brasileira conseguiu crescer mais do que muita gente esperava. O emprego aumentou, a renda melhorou e o consumo continuou relativamente forte.
Mas existe uma pergunta importante: esse crescimento é sustentável?
Um dos problemas está justamente na forma como estamos crescendo.
Entre 2021 e 2025, cerca de 70% do crescimento da economia brasileira veio do consumo das famílias. Outros 20% vieram do consumo do governo. E apenas cerca de 10% vieram dos investimentos.
E por que isso importa?
Porque existem basicamente duas maneiras de fazer uma economia crescer no longo prazo.
A primeira é consumir mais. A segunda é produzir mais e melhor.
Consumir mais pode acelerar a economia durante algum tempo. Mas, se esse consumo depende cada vez mais de gastos públicos, crédito e endividamento, em algum momento aparece a conta.
E ela já começa a aparecer.
De um lado está o governo. As despesas públicas cresceram mais rapidamente do que as receitas e a dívida pública brasileira voltou a subir.
Quanto maior a percepção de risco sobre essa dívida, maior tende a ser o prêmio exigido por quem empresta dinheiro ao país. E isso ajuda a manter os juros elevados.
Do outro lado estão as famílias.
O crédito também cresceu e milhões de brasileiros passaram a comprometer uma parcela maior da renda com prestações e juros.
E aqui está uma coisa importante: crédito não cria renda. Crédito antecipa consumo.
Você compra hoje usando uma parte da renda que ainda vai ganhar amanhã.
Quando governo e famílias fazem isso ao mesmo tempo, a economia pode até crescer mais rapidamente no presente. Mas vai acumulando compromissos para o futuro.
O resultado começa a aparecer na inadimplência, nas dificuldades do varejo e no número crescente de empresas enfrentando problemas financeiros.
Qual seria então um caminho mais sustentável?
Investimento e produtividade.
Precisamos produzir mais com os mesmos recursos: melhorar infraestrutura, tecnologia, educação, qualificação profissional e o ambiente para as empresas investirem.
Porque uma família não consegue aumentar indefinidamente seu padrão de vida tomando dinheiro emprestado.
Uma empresa também não.
E um país, no longo prazo, segue exatamente a mesma lógica.
Dívida pode comprar crescimento por algum tempo. Produtividade é o que transforma crescimento em desenvolvimento.