Cenário de oportunidades para o Brasil

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Cenário de oportunidades para o Brasil

Publicado originalmente no OrbisNews, em 22/09/2022.

Marcel Solimeo

A invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma série de problemas para a maioria das nações, mesmo naquelas não envolvidas, direta ou indiretamente, no conflito. Isto porque as correntes de comércio de muitos produtos essenciais foram afetadas, pois as duas nações em litígio possuem grande importância no abastecimento de produtos importantes, como alimentos e fertilizantes. Adicionalmente, a Rússia é a principal fornecedora de gás para muitos países europeus.

Um impacto indireto também ocorre no tocante aos preços dos combustíveis em geral, pois os principais fornecedores se aproveitam da queda da oferta para aumentar os preços do petróleo e derivados.

Independente do conflito, e de suas consequências, as preocupações com o aquecimento global vem promovendo tentativas de mudanças da matriz energética em muitos países, especialmente da Europa Ocidental, estão desativando usinas nucleares e minas de carvão. Além disso, empresas petrolíferas desses países, estão deixando de investir em prospecção e perfuração de poços, devido à pressão dos ambientalistas.

Isso também reflete no abastecimento e nos preços da energia, pois, no geral, essas pressões não levam em conta a realidade de que, durante muitos anos, os países ainda irão depender dos combustíveis fósseis, embora de forma decrescente, o que gera desequilíbrio entre oferta e demanda de fontes energéticas.

O Brasil, por um lado, é afetado por esse cenário, pois importa combustíveis e fertilizantes, o que teve impacto sobre a inflação, mas, de outro lado, pode se beneficiar se souber aproveitar as oportunidades que a crise internacional oferece.

No curto prazo, como grande exportador de produtos agrícolas, pode se tornar o ”celeiro do mundo”, apesar das críticas injustificadas e pressões internas contra o agronegócio.

Além disso, somos também exportadores importantes de minério de ferro, mas temos condições para nos tornarmos também grandes produtores de metais não ferrosos, que estão sendo, e serão ainda mais demandados, na medida em que evoluam as formas e fontes alternativas de energia. O carro elétrico, por exemplo, exige, para as baterias, minerais como o lítio, cujo preço no mercado internacional disparou, além de níquel, cobre, nióbio e muitos outros. Para isso é necessário que se regulamente com critério a mineração, combinando a preservação do meio ambiente com a atividade mineradora.

Outra oportunidade que se oferece ao país é no campo da energia, pois temos uma matriz energética constituída por diversas fontes não poluentes, e que evolui rapidamente nessa direção. Além do etanol, estamos avançando na energia solar, e na eólica, já estamos caminhando para instalar usinas no mar, o que será um passo importante para avançar na produção do “hidrogênio verde”, no futuro não muito distante.

Além do benefício da energia limpa para a indústria brasileira, o país poderá se tornar no futuro exportador de energia, em complemento às exportações de produtos.

A Amazônia pode deixar de ser um problema na medida em que se consiga explorar racionalmente suas riquezas. Em recente Seminário, o professor Carlos Nobre, pesquisador da região, anunciou a criação, com a participação de instituições e empresas, do AMIT – AMAZONIA INSTITUTO DE PESQUISA, que terá um Universidade local e desenvolverá estudos para o aproveitamento econômico da região, que tem um bioma com uma flora e fauna diversificada, e pode oferecer à sua população de mais de 20 milhões de pessoas, atividades econômicas rentáveis que não agridam o meio ambiente.

As oportunidades são muitas, mas depende de nós decidirmos se vamos continuar a ser o “País do Futuro” ou vamos nos mobilizar em torno de um PROJETO DE NAÇÃO que não apenas assegure o crescimento, mas, principalmente, promova a inclusão e a justa repartição dos frutos do progresso.

Passadas as eleições é hora de união em torno do objetivo comum de resgatar as dívidas sociais do passado, e oferecer à juventude perspectivas de presente e de futuro. Se a nação não se reconciliar consigo mesma e a sociedade não se unir em torno do objetivo comum, deixando passar as oportunidades por causa da intolerância ou do egoísmo, as consequências serão muito negativas. Não será por falta de aviso.

“Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Mateus 12:23

 

Marcel Domingos Solimeo

Marcel Solimeo é economista e consultor, é superintendente do IEGV/ACSP, onde atua desde 1963, e assessor político e econômico da Presidência da ACSP. Foi superintendente institucional da Associação e é coeditor dos livros “O Plano Real Para ou Continua?” e “O Plano Real Acabou?”, além de autor do texto “A Vocação dos Municípios”, publicado no livro “O Município Moderno”, e de inúmeros artigos publicados em jornais e revistas. Formou-se em Economia pela FEA/USP em 1963, e fez pós-graduação em Economia Pública pela mesma faculdade. Por mais de 20 anos, foi assessor econômico do Clube de Diretores Lojistas de SP e da Confederação Nacional de Diretores Lojistas. 

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O artigo acima não representa, necessariamente, a opinião do Atlântico.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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