Um lado ganhou. E agora, Brasil?

Após as eleições, o Brasil enfrenta desafios econômicos e institucionais. Uma reflexão sobre responsabilidade, democracia e o futuro do país.
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Surpresa nenhuma: passada a eleição, uma parte do país comemora, enquanto a outra lamenta. As duas metades têm quase o mesmo tamanho. Agora, todos nós precisamos responder à mesma pergunta: o que vamos fazer pelo Brasil a partir de hoje?

Nunca acreditei que Lula ou Flávio tivessem uma varinha mágica capaz de resolver nossos problemas. Há dificuldades econômicas e institucionais profundas pela frente, que exigirão escolhas difíceis e terão custos para a sociedade.

Mas a mensagem que quero deixar é de responsabilidade e esperança: o Brasil depende do nosso trabalho, da nossa participação e da nossa capacidade de colocar as instituições a serviço do povo, e não dos privilegiados.

Essa tarefa continua depois da apuração dos votos.

Na minha avaliação, elegemos uma parcela importante do Congresso com condições de contribuir para uma agenda mais responsável. Também vejo governadores de direita competentes em estados fundamentais, formando uma base relevante para 2030.

Da mesma forma, é preciso reconhecer a sensibilidade social dos governadores de esquerda eleitos, uma qualidade que certamente contribuiu para o apoio que receberam. Especialmente nas regiões onde as oportunidades econômicas são mais limitadas, o Estado ainda representa, para muitas famílias, a principal esperança de acesso à saúde, à educação e a melhores condições de vida. Essa expectativa é legítima e merece respeito.

De todos eles, devemos cobrar competência administrativa, responsabilidade com o dinheiro público e sensibilidade social. O desafio comum é atender às necessidades de hoje e criar condições para que mais pessoas tenham emprego, renda e autonomia amanhã.

Minha preocupação com o Judiciário permanece. Considero preocupante a distância entre o poder que exerce e a confiança que deveria inspirar. Justamente por ser essencial à democracia, precisa de transparência, equilíbrio e respeito aos limites constitucionais, especialmente nas mais altas cortes do país.

No Executivo, a tentação populista merece vigilância, seja de direita ou de esquerda. Uma medida popular hoje pode produzir uma conta pesada amanhã. E essa conta costuma chegar primeiro a quem tem menos condições de pagá-la.

Além das dificuldades fiscais e financeiras, seguimos diante de uma crise institucional que exige atenção. A insegurança prejudica investimentos, dificulta decisões e compromete a confiança no futuro.

Nós, que empreendemos, temos patrimônio ou alguma reserva, também sofremos com a desorganização do país. Mas dispomos de meios de proteção que muitos brasileiros não têm.

Para quem vive de um salário apertado, depende do atendimento público ou procura emprego, a fragilidade das instituições aparece na vida concreta: na fila, na falta de segurança, no custo dos alimentos e na oportunidade que não chega.

É por essas pessoas que o Estado precisa funcionar.

Instituições fortes devem proteger direitos, prestar bons serviços e garantir que as regras também alcancem quem tem dinheiro, influência ou poder. Seu valor precisa ser percebido na vida do cidadão.

Temos responsabilidade nisso. Inclusive para questionar privilégios quando eles beneficiam o nosso setor, o nosso grupo ou alguém com quem temos afinidade política. A coerência também é uma forma de participação.

Nos negócios, o momento exige cabeça fria. Investir, contratar, assumir dívidas ou expandir são decisões que precisam considerar a realidade da empresa. Deixar a euforia ou a frustração eleitoral falar mais alto que a razão pode comprometer anos de trabalho.

Nossa contribuição também passa por acompanhar decisões públicas, cobrar representantes, pensar no coletivo e defender mudanças que façam o país funcionar cada vez melhor.

O horizonte de 2030 é importante. Até lá, há famílias criando filhos, jovens buscando oportunidades e empresas tentando crescer. Nosso trabalho e nossa participação podem melhorar esse caminho desde agora.

Vamos seguir com sabedoria e paciência, mas vigilantes e firmes na cobrança. Com disposição para produzir, gerar oportunidades e exigir que o poder público cumpra sua função.

O Brasil somos todos nós. E essa convicção precisa aparecer no que fazemos todos os dias.

Seguimos. Com muito trabalho, foco e fé em Deus.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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