Publicado originalmente no perfil do autor no LinkedIn, em 08 de setembro de 2026.
A moda brasileira é muito mais do que a peça que chega ao consumidor.
Por trás dela existe um enorme ecossistema: matérias-primas, fibras, indústria têxtil, confecção, design, tecnologia, fornecedores, logística, varejo físico e digital, marcas, serviços, consumidores, reciclagem e economia circular. São empresas, empreendedores, trabalhadores, conhecimento, investimento e desenvolvimento espalhados por todo o Brasil.
Esse patrimônio produtivo, construído por gerações de brasileiras e brasileiros ao longo de quase dois séculos de atividade industrial, enfrenta hoje uma nova realidade mundial.
Há sobrecapacidade produtiva global, especialmente na Ásia, em busca de mercados, justamente quando grandes economias vêm reforçando seus instrumentos de defesa comercial. Isso aumenta a pressão sobre mercados que permanecem mais abertos e expostos às assimetrias internacionais.
O Brasil precisa agir simultaneamente em duas frentes: reduzir o Custo Brasil e fortalecer mecanismos ágeis, eficientes e tempestivos de legítima defesa comercial.
Uma agenda não substitui a outra.
Não podemos exigir que a indústria brasileira suporte elevados custos tributários, financeiros, regulatórios e de infraestrutura e, ao mesmo tempo, colocá-la para competir em condições profundamente assimétricas com produtos importados — inclusive mantendo vantagens tributárias às pequenas encomendas internacionais que não são concedidas ao produto nacional.
Não se trata de protecionismo. Trata-se de igualdade para competir.
Defender a competitividade brasileira significa modernizar, inovar, produzir melhor e reduzir custos. Mas significa também assegurar que instrumentos de defesa comercial e de isonomia tributária e regulatória funcionem com a velocidade necessária para impedir que, enquanto discutimos soluções, nossa capacidade produtiva continue sendo erodida.
O ecossistema da moda mostrado neste card existe no Brasil. Precisamos garantir que ele continue existindo, investindo, inovando e gerando empregos e oportunidades no Brasil.

Competitividade, isonomia e legítima defesa comercial precisam caminhar juntas.