A educação brasileira está melhorando. E quem puxa o bonde não é quem você pensa

Ideb 2025 mostra avanço da educação brasileira e revela como gestão e prioridade fazem Estados menos ricos liderarem resultados.
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Os resultados do Ideb e do Saeb de 2025 trazem uma boa notícia: a educação básica avançou nas três etapas avaliadas. Todas as 27 Unidades da Federação melhoraram o Ideb dos Anos Iniciais, e a maioria evoluiu nas demais etapas. Não são casos isolados, mas uma tendência nacional.

O filme dos últimos 20 anos mostra claramente a evolução. Desde 2005, o Ideb das redes públicas passou de 3,6 para 6,1 nos anos iniciais, de 3,2 para 5,0 nos anos finais e de 3,1 para 4,3 no ensino médio.

Os números de 2025 reforçam outra conclusão: quem puxa esse movimento, sobretudo no ensino médio, etapa cuja responsabilidade é dos Estados, não são os mais ricos.

O Paraná obteve o maior Ideb das redes públicas nas três etapas e o melhor indicador de aprendizagem do País, embora tenha renda per capita intermediária. No ensino médio, o Piauí, com um dos menores PIBs per capita do Brasil, teve o maior crescimento do Ideb entre 2023 e 2025, avançou expressivamente em aprendizagem e alcançou o segundo melhor resultado do País, quase empatado com Paraná com uma diferença de apenas 0,1.

O Ceará, também entre os Estados de menor renda, segue como destaque no ensino fundamental e apresenta um bom Ideb no ensino médio. A mensagem é clara: maior capacidade de investimento pode ser uma vantagem, mas apenas se vier com prioridade política e excelência na gestão.

Esses Estados têm em comum a participação ativa do governador, da escolha do secretário ao acompanhamento da gestão e à mobilização da rede. Sob essa liderança, construíram capacidades que convertem recursos em resultados: alfabetização na idade certa, colaboração com os municípios, uso de avaliações, recuperação das defasagens, apoio às escolas e formação de professores.

O contraste é revelador. No ensino médio, São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, está com o mesmo resultado da média nacional no Saeb, 4,6, e pouco avançou, apenas 0,1 em dois anos. Já no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e na Bahia, o quadro é vergonhoso. Dono do maior PIB per capita do País, o DF foi o único a recuar no Ideb e está na lanterna. O Rio foi o único a cair no Saeb e divide com a Bahia a última posição em aprendizagem. Como os quatro concentram muitos estudantes, seu baixo dinamismo freia o País. E provam que partido político não explica resultado ruim.

Seriam as redes grandes complexas demais para avançar? O Rio Grande do Sul mostra que não. Mesmo após as enchentes de 2024, esteve entre os Estados que mais avançaram no Ideb do ensino médio, com ganhos importantes de aprendizagem e empata com Goiás na segunda colocação no Saeb. Redes grandes são mais complexas, mas tamanho não é obstáculo.

Celebrar os resultados não significa ignorar o desafio. O País está avançando, mas ainda permanece em um patamar baixo demais se a ambição for mais igualdade de oportunidades, maior crescimento e distribuição de renda. A próxima fronteira é acelerar a aprendizagem. Evidências e faróis não faltam.

Aproveito o espaço para parabenizar todas as redes de ensino que celebram hoje seus bons resultados. Eles não seriam possíveis sem muito trabalho de milhões de professores e servidores públicos.

Aos governadores que não têm o que celebrar, que pelo menos se expliquem à sociedade. O pior que pode acontecer é a apatia ou a tentativa de varrer os resultados ruins pra debaixo do tapete.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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