A escala 6×1 e o placar 7×1.

Crítica ao intervencionismo estatal nas relações de trabalho e aos impactos econômicos do fim da escala 6x1 no Brasil.
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Está no livro 2 da Trilogia “Getúlio”, de Lira Neto: “Segundo a filha Alzira, quatro tipos de gente tiravam Getúlio Vargas do sério, em ordem crescente de irritabilidade: as que lhe contavam sempre as mesmas histórias, as muito burras, as demasiadamente prolixas e, em especial, as que se atrasavam…”.

Portanto, Getúlio enlouqueceria se tivesse que aturar os políticos modernos, mas estaria feliz com o fim da escala 6×1.

Getúlio criou a CLT. Um baita negociador esperto, capaz de dar rasteiras nos melhores, Getúlio deu novos direitos aos trabalhadores para ampliar o poder de intervenção do Estado.  Com Vargas, o trabalhador passou a depender do Estado; os sindicatos também e a política trabalhista virou ferramenta de submissão.

A CLT foi um avanço social? Sim. Não posso negar, mas também eu faltaria com a minha consciência ao não admitir que foi um projeto de centralização política caro.  Isso muitos ignoram quando romantizam Vargas.

A partir de Vargas, o Estado brasileiro passou a expandir a interferência de seus agentes na relação entre empregados e empregadores, enquanto retira para si e para os seus uma parte crescente da renda produzida pelo trabalho. que é transformada em mordomias, altos salários, privilégios e corrupção.

Ao longo do tempo, o Estado Brasileiro fez do trabalhador com carteira assinada uma “casta” de privilegiados, que obriga os empregadores a um exercício de dribles capaz de invejar Mané Garrincha.

Contratar formalmente custa caro e o mercado de trabalho reage como pode com informalidade, substituição de CPF por CNPJ, uma luta pela sobrevivência dos empregadores e empregados. Os modelos flexíveis se multiplicam.

Ao mesmo tempo, a tecnologia abre espaços para milhões de trabalhadores empreendedores, autônomos e independentes, situação que irrita os agentes políticos do Estado Brasileiro.

Mas, o Estado insiste no impulso intervencionista com o debate sobre o fim da escala 6×1. A nova polêmica é tão somente isso: o Estado avança sobre a relação de trabalho, impõe novas regras, amplia obrigações, mas não abre mão da parcela gigantesca que retira da folha salarial.

Ora, Deus, hoje, o empregador paga o transporte do empregado; paga a alimentação; paga o plano de saúde; remunera férias; financia parte da seguridade social; arca com encargos trabalhistas; participa da formação da poupança pessoal, sustenta uma estrutura tributária pesada e enfrenta a insegurança jurídica de agentes com síndrome de TDI – Transtorno Dissociativo de Identidade, esquizofrenia.

A produtividade foi para o espaço.

O fim da escala 6×1 cairá sobre os ânimos dos brasileiros com o mesmo peso do 7×1 da Copa de 2014, um resultado que responde até hoje pelo nosso desânimo com a Seleção Brasileira e com o desinteresse visível pelos jogos da Copa do Mundo.

Por isso sou um liberal.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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