Loucura ou Ignorância?

Fico com a ignorância, depois de ter acreditado, sinceramente, que seria loucura a decisão de alguém que segue para as urnas, a cada quatro anos, para decidir quem será Presidente da República, membro do Congresso Nacional, governador e deputado estadual.

Deixei a loucura para designar aqueles que se lançam ao voto do eleitor e fico por hora com a Presidência da República. Será loucura ou ignorância?

Para mim, isso faz sentido quando olho os números e desafios que tem quem preside o Brasil. A tarefa não é nada simples. O Presidente administra um Estado que tem a obrigação de prestar serviços a 213 milhões de pessoas, de todos os credos, origens, pobres, ricos, felizes, infelizes, credores dos santos e devedores de Deus.

Um Estado que é colocado diante de situações curiosas como o fato de ter quase 40% da população não atendida por redes de esgoto, mas com acesso a telefone celular (90,01%) e televisão (95,5%).

Um Estado que arrecada e gasta, todos os anos, 5 trilhões de reais e tem um povo que produz, com os agentes do Estado nas costas, 11,8 trilhões de reais.

Mas, as obrigações de um presidente não ficam por aí. Ele está encarregado do relacionamento com 27 governadores, 513 deputados federais e 81 senadores, uns saudáveis e outros loucos de pedra.

E digo mais. O próximo presidente terá que, durante o mandato, indicar três ministros para o STF e um punhado de outros ministros para as demais cortes superiores. Embaixadores também. O Presidente do Banco Central, também. E terá o ofício de conviver pacificamente com os ministros do STF que ficarão por lá durante todo o mandato do novo presidente.
Quem se colocar como candidato, atente também para o fato de um presidente ter dado um tiro no peito; outro ter renunciado, outro ter sido expulso e exilado e outros dois terem sido colocados para fora da Presidência pelo Congresso Nacional.

Ah! Sim, não posso esquecer. Dois foram presos.

Está lançada a sorte, tanto para quem vota como para quem é votado.

As opiniões do autor nem sempre refletem uma posicão consensual da diretoria ou conselhos do Atlantico.

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