Perdendo tempo

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Publicado originalmente no LinkedIn, em 01/07/2024.

Gustavo de Oliveira

Tenho acompanhado com agonia os debates e as agendas que o Brasil tem se proposto a priorizar nos últimos meses. Enquanto no mundo todo se discutem novas estratégias de desenvolvimento, agendas de futuro e quais as oportunidades que cada região ou nação terão em um mundo cada vez mais dinâmico e diverso, o Brasil continua preso a discussões passadas e inócuas.

No campo da economia, por exemplo, ainda estamos discutindo a importância do combate à inflação, do controle das contas públicas e da qualidade dos gastos públicos, mesmo com três décadas do lançamento do Plano Real no país. Enquanto o mundo todo avança, continuamos discutindo o sexo dos anjos e num debate ideológico irracional e que joga (ou pretende jogar) uma cortina de fumaça sobre os reais problemas econômicos do país: descontrole dos gastos, inflação, falta de produtividade e falta de competitividade.

No campo da política, enquanto o mundo todo pretende dar mais protagonismo ao setor privado e ao cidadão, no Brasil aumentamos o destaque dos políticos. Mais dinheiro para parlamentares, para estruturas públicas, para programas sociais e para todo tipo de interferência estatal na vida do cidadão. O mundo quer menos estado e mais liberdade, e nós caminhamos na contramão, elevando a tributação sobre os brasileiros e os tornando cada vez mais dependentes do estado provedor. É uma agenda fadada ao fracasso.

No campo social, excluímos cada vez mais brasileiros das oportunidades que a tecnologia, a educação, a saúde de qualidade e a vida em segurança proporcionam aos cidadãos mundo afora. A falha maior é acreditar que cabe ao estado o papel de, com toda sua ineficiência, reduzir as desigualdades.

A verdade inconveniente é que não há um real projeto de país. O Brasil hoje é uma nação que tropeça nos próprios pés, cambaleando sem direção em um mundo onde ter foco, direção e performance é o que alimenta a prosperidade. Verdade seja dita, isso não é um problema criado recentemente. Décadas de ausência de planejamento e estratégia cobram seu preço neste momento. A culpa não é só do governo de plantão; é dele e de seus antecessores nas últimas quatro décadas, pelo menos.

Para virar o jogo, faltam lideranças de qualidade, metas claras e audaciosas e capacidade de implementação. Os velhos políticos, eleitos no nosso arcaico e distorcido sistema eleitoral não serão capazes de nos liderar em direção a este novo futuro. O Brasil velho, que agoniza e sucumbe, precisa de um frescor de ideias, que só pode surgir com novas lideranças e novas propostas.

Felizmente há esperança no caminho. Há novos e bons atores se apresentando em diversos estados brasileiros. Eles mudam, com inovação e competência, os rumos do país. Em breve, chegará o momento dessas novas mentes tomarem Brasília e a devolverem aos brasileiros.

 

Gustavo de Oliveira

Gustavo de Oliveira é um entusiasta de temas relacionados à economia, negócios e inovação. É comentarista na rádio CBN Cuiabá e escreve artigos de opinião para sites e jornais de Mato Grosso. Também faz palestras para compartilhar conhecimentos sobre tendências econômicas e no futuro do trabalho. Tem mais de 25 anos de experiência como empresário no setor de mineração em Mato Grosso e na liderança em instituições públicas e do terceiro setor. Faz parte da diretoria da CNI — Confederação Nacional da Indústria e é conselheiro em duas empresas privadas.

 

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O artigo acima não representa, necessariamente, a opinião do Atlântico.