Um levantamento léxico conduzido pelo Instituto Atlântico revelou um distanciamento preocupante entre as propostas dos principais candidatos à Presidência e o setor produtivo nacional. Segundo o economista Paulo Rabello de Castro, a baixa incidência de palavras-chave como “empresário” e “poupança” nos planos de governo sugere um ambiente de negligência em relação aos pilares do crescimento econômico.
O silêncio sobre quem gera emprego
Em uma análise de 134.209 palavras contidas no conjunto dos cinco planos, o termo “empresário” foi registrado apenas cinco vezes. No plano do presidente Lula, a palavra sequer é citada. Já “empreendedor/ismo” aparece 11 vezes nesse documento e 45 vezes no conjunto da pesquisa, geralmente associado a microempresas ou negócios em estágio inicial.
A ausência da cultura de poupança
Outro ponto crítico levantado por Rabello de Castro é a desvalorização da poupança, considerada um motor fundamental dos investimentos de longo prazo. Embora o termo “investimento” apareça 318 vezes nos documentos, a palavra “poupança” foi encontrada apenas cinco vezes em todo o universo pesquisado. Para o economista, esse descompasso revela um desencontro entre os objetivos econômicos apresentados e os instrumentos necessários para alcançá-los.
Na avaliação do Instituto Atlântico, essa indiferença léxica reflete uma política econômica que muitas vezes concentra o debate na arrecadação, sem fomentar na mesma proporção o diálogo com quem sustenta o emprego, produtividade e prosperidade no Brasil.
